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“…é uma Pantomima encenada, cenografada e interpretada por José
Gil, artista cuja plasticidade, sensibilidade, humor e empatia
estiveram bem presentes, numa peça que se vai sempre renovando,
à medida que vai sendo representada…” -
Jornal ”A Voz de Alcobaça”
“…A Mímica das Marionetas – a sala está escura. No palco, uma
mala vermelha dá vida ao auditório. O som de uma viola anima o
espectáculo. O marionetista José Gil pinta o rosto de branco e
as sobrancelhas de preto. Silêncio…os artistas estão a
trabalhar.”
- Semanário
“Região de Cister”
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UM CASO DE AMOR À PRIMEIRA VISTA
Apaixonei-me pela mímica do José Gil logo à primeira vista e devo
já esclarecer que a questão é mesmo tão grave como parece. É tão grave
que se mantém há mais de uma década. Sem qualquer restabelecimento digno
de registo. A história do espectáculo a que esta noite vamos assistir é
também uma história que começou há muito tempo. Há muito mais tempo… É a
história dramática de uma arte chamada Mímica, ou Pantomima,
que nos remete essencialmente para a expressão e representação de acções
e emoções unicamente por intermédio de movimentos corporais como a
linguagem gestual, passos e até o próprio olhar... A Mímica terá
tido as suas raízes no teatro clássico grego do século V a. C.
e a sua história cimentar-se-ia já no Renascimento, quando a
commedia dell’ arte consolidou a sua anterior radicação na burlesca
arte teatral dos mistérios medievais. A sua influência não
deixaria mesmo de seguidamente seduzir o bailado e a ópera,
alargando já no século XX essa sua tentação à arte
cinematográfica. A Mímica moderna terá nascido em 1951,
quando o mimo francês Marcel Marceau adaptou
dramaticamente à Pantomima o conto O Capote, de
Nikolai Gogol, pouco tempo depois de ter criado a sua marcante e
inconfundível personagem mímica Bip. A designação mimo
evoluiu também historicamente, tendo começado por ser genericamente
atribuída a qualquer actor, tendo a sua emancipação apenas ocorrido já
no século passado, designando a partir de então apenas os actores que se
dedicam exclusivamente a essa arte de transmitir uma acção ou narração
por meio de gestos.
A S.A.
Marionetas aborda a Mímica desde 1990, em espectáculos
como Um Mimo de Mimo, Cartoon’s de Mímica,
Cartoon’s de Mímica II e Entreacto, que tem
regularmente apresentado em grande parte do nosso país. Foi numa dessas
suas representações, em 1991, que surgiu a minha tal paixão pela
arte do José Gil, caso raríssimo e provavelmente único de um
artista português que se dedica a encenar, coreografar e interpretar
Mímica em Portugal. E a verdade é que o José Gil o faz
com uma plasticidade, uma versatilidade, um humor, uma sensualidade e
uma empatia que não deixam ninguém ficar indiferente. O José Gil,
enquanto mimo, é um sedutor que em pleno palco manipula
tentadoramente o seu próprio corpo, praticando o gesto como pura arte
sensorial, potenciando em si e nas personagens a que dá vida um pouco de
toda a história da Mímica. É como se durante cerca de 50
minutos ele conjugasse em si mesmo uma mimese de Arlequim,
Columbina, Pantaleão, Pedrolino,
Polichinelo e Pierrot, redimensionando-a em
cada novo instante com a subtil vivência do Bip de
Marcel Marceau e das estimulantes personagens cinematográficas de
Jacques Tati e Buster Keaton. E como se isso já não fosse
suficiente, este espectáculo vive também da música programática para ele
originalmente concebida pelo guitarrista Israel Pereira, que
continua a acompanhar criativamente o José Gil em palco,
encantando-nos também com essa sua arte que tanto enobrece ritmicamente
este espectáculo.
Os
Cartoon´s de Mímica a que esta noite vamos assistir não são um
espectáculo qualquer. Nem surgiram de um momento para o outro. São
essencialmente um espectáculo criado e recriado durante anos de
digressão e mais de 150 representações por esse país fora. Em
palco e na rua. Os Cartoon’s de Mímica
personalizados pelo José Gil e pelo Israel Pereira são
muito mais que um simples espectáculo teatral. Tal como na nossa vida,
eles protagonizam momentos alegres e momentos melancólicos. É claro que
este é um espectáculo sem meias tintas e sem qualquer espécie de
cinzentismo. Tudo o que nele existe, existe mesmo. Ilumina-nos. É por
essas e por outras que eu não me consigo libertar desta paixão…
Felizmente!
José Alberto Vasco |