ESPECTÁCULOS   A COMPANHIA   FESTIVAL   PROJECTOS   NEWSLETTER   CONTACTOS

ESPECTÁCULO TEMPORARIAMENTE FORA DE CENA


cartaz de 1996 com foto de António Guerra

Depois de percorrer ruas e praças um pouco por todo o lado, este projecto chega aos palcos, transpondo assim  a experiência adquirida num ambiente descontrolado que é a rua, para um palco onde a arte do gesto serve como base a uma série de cartoon´s , a palavra é substituída pelos gestos como forma de comunicação, o som da guitarra de Israel Pereira ilustra esta tão antiga forma de representação, onde a interacção com o público e o humor marcam presença constantes.

 

Entre outros locais esteve em Coimbra. É assim que o “Diário de Coimbra” o descreve: “…trouxeram para a ribalta figuras que fazem da imaginação um instrumento de trabalho, e José Gil é um dos que da linguagem gestual faz um espectáculo por inteiro."


“…é uma Pantomima encenada, cenografada e interpretada por José Gil, artista cuja plasticidade, sensibilidade, humor e empatia estiveram bem presentes, numa peça que se vai sempre renovando, à medida que vai sendo representada…” -
Jornal ”A Voz de Alcobaça”


“…A Mímica das Marionetas – a sala está escura. No palco, uma mala vermelha dá vida ao auditório. O som de uma viola anima o espectáculo. O marionetista José Gil pinta o rosto de branco e as sobrancelhas de preto. Silêncio…os artistas estão a trabalhar.” -
Semanário “Região de Cister”

Original de José Gil e Israel pereira
Encenação e Cenografia : José Gil
Músico: Israel Pereira
Mimo: José Gil
Música Original: Israel Pereira
Operação de Luz : Sofia Vinagre
Fotografia: Luci Pais / Rodrigo Moreira / Jorge Vasco / António Guerra
Produção: S.A.Marionetas - Teatro & Bonecos

Altura: 3 m / Largura: 5 m / Profundidade 4 m
Duração do Espectáculo: 50 minutos
Montagem: 120 minutos
Desmontagem: 60 minutos
Espaço de Apoio. 1 Camarim
Classificação: Maiores de 4 anos
Máximo de Espectadores: 250

 

   
Rodrigo Moreira                                     Luci Pais

 

Luci Pais                                                                                                                                                                           Jorge Vasco


Jorge Vasco

 
Jorge Vasco


Jorge Vasco

 

Texto pertencente à  folha de sala  do espectáculo do dia 14 de Abril de 2007 no Cine-Teatro de Alcobaça de José Alberto Vasco (Jornalista)

UM CASO DE AMOR À PRIMEIRA VISTA

            Apaixonei-me pela mímica do José Gil logo à primeira vista e devo já esclarecer que a questão é mesmo tão grave como parece. É tão grave que se mantém há mais de uma década. Sem qualquer restabelecimento digno de registo. A história do espectáculo a que esta noite vamos assistir é também uma história que começou há muito tempo. Há muito mais tempo… É a história dramática de uma arte chamada Mímica, ou Pantomima, que nos remete essencialmente para a expressão e representação de acções e emoções unicamente por intermédio de movimentos corporais como a linguagem gestual, passos e até o próprio olhar... A Mímica terá tido as suas raízes no teatro clássico grego do século V a. C. e a sua história cimentar-se-ia já no Renascimento, quando a commedia dell’ arte consolidou a sua anterior radicação na burlesca arte teatral dos mistérios medievais. A sua influência não deixaria mesmo de seguidamente seduzir o bailado e a ópera, alargando já no século XX essa sua tentação à arte cinematográfica. A Mímica moderna terá nascido em 1951, quando o mimo francês Marcel Marceau adaptou dramaticamente à Pantomima o conto O Capote, de Nikolai Gogol, pouco tempo depois de ter criado a sua marcante e inconfundível personagem mímica Bip. A designação mimo evoluiu também historicamente, tendo começado por ser genericamente atribuída a qualquer actor, tendo a sua emancipação apenas ocorrido já no século passado, designando a partir de então apenas os actores que se dedicam exclusivamente a essa arte de transmitir uma acção ou narração por meio de gestos.

              A S.A. Marionetas aborda a Mímica desde 1990, em espectáculos como Um Mimo de Mimo, Cartoon’s de Mímica, Cartoon’s de Mímica II e Entreacto, que tem regularmente apresentado em grande parte do nosso país. Foi numa dessas suas representações, em 1991, que surgiu a minha tal paixão pela arte do José Gil, caso raríssimo e provavelmente único de um artista português que se dedica a encenar, coreografar e interpretar Mímica em Portugal. E a verdade é que o José Gil o faz com uma plasticidade, uma versatilidade, um humor, uma sensualidade e uma empatia que não deixam ninguém ficar indiferente. O José Gil, enquanto mimo, é um sedutor que em pleno palco manipula tentadoramente o seu próprio corpo, praticando o gesto como pura arte sensorial, potenciando em si e nas personagens a que dá vida um pouco de toda a história da Mímica. É como se durante cerca de 50 minutos ele conjugasse em si mesmo uma mimese de Arlequim, Columbina, Pantaleão, Pedrolino, Polichinelo e Pierrot, redimensionando-a em cada novo instante com a subtil vivência do Bip de Marcel Marceau e das estimulantes personagens cinematográficas de Jacques Tati e Buster Keaton. E como se isso já não fosse suficiente, este espectáculo vive também da música programática para ele originalmente concebida pelo guitarrista Israel Pereira, que continua a acompanhar criativamente o José Gil em palco, encantando-nos também com essa sua arte que tanto enobrece ritmicamente este espectáculo.

              Os Cartoon´s de Mímica a que esta noite vamos assistir não são um espectáculo qualquer. Nem surgiram de um momento para o outro. São essencialmente um espectáculo criado e recriado durante anos de digressão e mais de 150 representações por esse país fora. Em palco e na rua. Os Cartoon’s de Mímica personalizados pelo José Gil e pelo Israel Pereira são muito mais que um simples espectáculo teatral. Tal como na nossa vida, eles protagonizam momentos alegres e momentos melancólicos. É claro que este é um espectáculo sem meias tintas e sem qualquer espécie de cinzentismo. Tudo o que nele existe, existe mesmo. Ilumina-nos. É por essas e por outras que eu não me consigo libertar desta paixão… Felizmente!

                                                                                                                                                                           José Alberto Vasco