Teatro D.Roberto

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Dom Roberto

     
O Teatro de Robertos representa, seguramente, uma das tradições mais antigas das artes cénicas, não só na sua vertente portuguesa e europeia, mas também nos heróis populares do oriente. De facto, a origem desta forma de arte popular de representação remonta, na tradição europeia à Commedia dell' Arte italiana do século XVI e, não parece ser improvável que as tradições orientais tenham tido, de alguma forma, influência na evolução deste tipo tradicional de representação.
É durante o século seguinte que a deambulação de artistas, principalmente franceses e italianos, proporciona uma miscigenação neste tipo de teatro, estando a sua evolução intimamente relacionada com as especificidades culturais de cada país.
Em todo o caso, traços constantes atravessam todas as tradições europeias de heróis populares: o carácter subversivo/burlesco dos textos e representações, a utilização de palhetas que emitem sons estridentes (simultaneamente ideais para captar a atenção do público bem como para realçar a sincronização gesto/som, tão importante na criação de uma aparência de "vida" nos pequenos bonecos de luva) e, por fim, a invencibilidade dos heróis, capazes até de vencer o pior dos inimigos - a morte. Contudo, interessa realçar a peculiaridade da ramificação portuguesa, visto todas as personagens envolvidas possuírem " voz de palheta". Em Portugal, o herói popular chega aos nossos dias com o nome de D. Roberto, apesar de, no século XVIII, várias serem as designações para este teatro de fantoches de luva.
A prevalência deste nome está, por ventura, ligado a uma comédia de cordel com grande repercussão, intitulada "Roberto do Diabo" ou a um conhecido empresário de teatro de fantoches, Roberto Xavier de Matos. No entanto, apesar do teatro de Robertos ter conhecido um assinalável êxito até, sensivelmente, à década de sessenta do século XX, não só através dos pavilhões que incorporavam as feiras e romarias como também nas praias e cidades, sobrevive, hoje em dia, graças aos testemunhos que chegaram até nós de uma forma fragmentária e até mesmo controversa, deixados pelos mestres bonecreiros Domingos Bastos Moura e Manuel Dias e pelo proprietário de um dos famosos pavilhões (Pavilhão Mexicano), Manuel Rosado. Curiosamente, ambos os bonecreiros pertenceram a este pavilhão, adoptando, igualmente, uma vida de itinerância individual, pelas praias, feiras e cidades do nosso país, divertindo gerações de crianças.

          

              breves notas sobre antigos bonecreiros populares portugueses

António Dias               

                                             Domingos Moura                                            Rosado Manuel                                   Cesário Nunes
António Dias
Nasceu em Rossio-ao-sul-do-Tejo (a norte de Lisboa). Foge de casa dos pais com 16 anos e vai para a feira de Setúbal onde arranja emprego no Teatro de Mestre Faustino. Aí aprende a arte e saber dos “Robertos”. Com a falência do empresário, monta o seu próprio teatro ambulante e faz espectáculos nas ruas de Lisboa, e mais tarde por todo o país.
em 1962 participa no filme "Dom Roberto" de Ernesto de Sousa com Raul Solnado e Glicinia Quartin tendo na altura ficado ainda mais famoso o seu trabalho como Artista Fantocheiro.
 Mestre António Dias manteve o seu teatro vivo até aos seus últimos dias. Morre no verão de 1986.
Convidou, a dada altura, um outro bonecreiro - Cesário Nunes - o que permitia a apresentação de peças mais elaboradas e com mais personagens, como é o caso de “A Rosa e os três namorados” e “O castelo dos fantasmas”.
António Dias chegou a trabalhar no FAOJ por intermédio de Francisco Esteves, com o repertório “O Barbeiro” e “A Tourada”. N’ “O Barbeiro” a cena final com o caixão foi censurada pelos serviços do FAOJ
Domingos Basto Moura
Nasceu em S. Roque (Forjães - Esposende) em 19 de Junho de 1921. Aprendeu a arte com cerca de 21 anos, no pavilhão de Teatro Itinerante Mexicano do bonecreiro Manuel Rosado, onde também trabalhava António Dias. Morreu em 199?.
Trabalhou na zona norte do país, em praias, feiras, romarias e jardins.

Manuel Rosado
Era proprietário de um pavilhão de Teatro de Robertos (Pavilhão Mexicano). Aqui eram apresentados espectáculos com robertos de luva e de fio em simultâneo.
Manuel Rosado deixou um espólio de mais de 150 bonecos de fios e cerca de 100 bonecos de luva. Este espólio esteve até 2001 com o Teatro Ensaio de Glória do Ribatejo, tendo então sido doados ao Museu da Marioneta em Lisboa (Convento das Bernardas).
Repertório representado no seu pavilhão:
“A expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, na Barra de Lisboa”; “A Rosa e os três namorados”; “Uma tourada à Portuguesa”; “O Barbeiro diabólico”; “A volta do Zé do Telhado”; “O milagre da Rainha Santa”; “Um milagre de Santo António”; “Um milagre de Fátima”; “O Saloio de Alcobaça”; “Noivado no Sepulcro”...
 

Cesário Cruz Nunes
Nasceu em Lisboa a 18 de Dezembro de 1925. Iniciou o trabalho de bonecreiro em 1946 (com cerca de 20 anos) depois de ter visto António Dias a trabalhar. Esta actividade cessou em 1952, quando entrou para a Câmara Municipal de Lisboa. Mais tarde muda-se para as Caldas da Rainha onde trabalha como canalizador, primeiro na Câmara Municipal e depois por conta própria. Como bonecreiro, trabalhou primeiro sozinho, e mais tarde com António Dias. A sua actividade desenvolveu-se pela zona centro e sul do Pais (desde a Figueira da Foz até ao Algarve). Correram as Feiras de Caldas da Rainha, Vila Franca, Santarém, Moita do Ribatejo, entre outras...

A história destes antigos fantocheiros está incompleta, por isso apelamos a todas as pessoas que possuam mais informações sobre a suas vidas que nos contactem
 ( sam@samarionetas.com ) para que a história do teatro de Marionetas em Portugal  fique  mais rica e completa

 

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