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Teatro Dom Roberto

teatro tradicional português de marionetas

Selo de inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

Inscrito no Inventário Nacional do Património Imaterial  INPCI_2021-003

O Teatro de Robertos representa, seguramente, uma das tradições mais antigas das artes cénicas, não só na sua vertente portuguesa e europeia, mas também nos heróis populares do oriente. De facto, a origem desta forma de arte popular de representação remonta, na tradição europeia à Commedia dell'Arte italiana do século XVI e não parece ser improvável que as tradições orientais tenham tido, de alguma forma, influência na evolução deste tipo tradicional de representação.
É durante o século seguinte que a deambulação de artistas, principalmente franceses e italianos, proporciona uma miscigenação neste tipo de teatro, estando a sua evolução intimamente relacionada com as especificidades culturais de cada país. Em todo o caso, traços constantes atravessam todas as tradições europeias de heróis populares: o carácter subversivo/burlesco dos textos e representações, a utilização de palhetas que emitem sons estridentes (simultaneamente ideais para captar a atenção do público bem como para realçar a sincronização gesto/som, tão importante na criação de uma aparência de "vida" nos pequenos bonecos de luva) e, por fim, a invencibilidade dos heróis, capazes até de vencer o pior dos inimigos - a morte. Contudo, interessa realçar a peculiaridade da ramificação portuguesa, visto todas as personagens envolvidas possuírem "voz de palheta".
Em Portugal, o herói popular chega aos nossos dias com o nome de Dom Roberto, apesar de, no século XVIII, várias serem as designações para este teatro de fantoches de luva. A prevalência deste nome está, por ventura, ligado a uma comédia de cordel com grande repercussão, intitulada "Roberto do Diabo".

No entanto, apesar do teatro de Robertos ter conhecido um assinalável êxito até, sensivelmente, à década de sessenta do século XX, não só através dos pavilhões que incorporavam as feiras e romarias como também nas praias e cidades, sobrevive, hoje em dia, graças aos testemunhos que chegaram até nós de uma forma fragmentária e até mesmo controversa, deixados pelos mestres bonecreiros Domingos Bastos Moura e António Dias e pelo proprietário de um dos famosos pavilhões (Pavilhão Mexicano), Manuel Rosado. José Manuel Valbom Gil da S.A.Marionetas, tendo tido o privilégio do contacto directo com o Mestre António Dias, um dos últimos bonecreiros populares portugueses, recriou, a partir do seu testemunho, duas peças - “O Barbeiro” e “A Tourada”. Mais recentemente, e procurando preservar esta forma de arte tradicional,  recuperou mais quatro peças do repertório de Teatro de Robertos - “A Rosa e os 3 Namorados”, “O Castelo dos Fantasmas”, "O Saloio de Alcobaça" e em 2025 "O Marquês de Pombal e os Jesuítas".

Pretende-se assim, não deixar desaparecer o teatro de Robertos, enquanto herança cultural portuguesa.​​​​

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Ficha Artística​

Marionetista: José Gil

Construção de Bonecos e Adereços: José Gil

Costureira: Maria Luísa Gil

Desenho: Natacha Pereira

Pesquisa: Sofia Vinagre e José Gil

Produção: S.A.Marionetas - Teatro & Bonecos

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Ficha Técnica​

Técnica: Marionetas de luva

Altura: 2,50 m

Largura: 2 m

Profundidade: 2 m

Montagem: 15 minutos

Desmontagem: 15 minutos

Classificação: Maiores de 4 anos 

​​​​Prémios:

"Melhor Manipulação" - MATERINKA Festival - Liberec - República Checa - 2021​

 "Preservação das Tradições do Antigo Teatro de Rua" - 1º Kyiv international festival of puppet theatre - Ucrânia - 2017​

"Espetáculo Tradicional" - Harmony World Puppet Carnival - Bangkok - Tailândia 2014​

 "Melhor Espetáculo de Marionetas de Rua" - Wayang World Puppet Carnival - Jakarta - Indonésia - 2013​

 "Tradição Europeia em Teatro de Marionetas" - 14º World Festival of Puppet Art - Praga, República Checa - 2010

​"O Marquês de Pombal e os Jesuítas" + "O Barbeiro" 

Duração do espetáculo: Aprox. 25 a 30 minutos

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Cada sessão é composta normalmente por duas ou três histórias que podem ser combinadas

entre si, das seis disponíveis no reportório, nunca excedendo o máximo de três por sessão
(existem pequenos intervalos entre as representações)​

Logótipo do Teatro Dom Roberto Portugal com a menção de inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, associado à S.A.Marionetas
Âncora 1

Sinopses das histórias

 

O Barbeiro Diabólico

Dom Roberto, o nosso herói, no dia do seu casamento procura um barbeiro para lhe desfazer a barba e o cabelo. Depois do serviço feito, Dom Roberto não quer pagar por achar muito caro. Tem uma grande desavença com o barbeiro. Chega o padre para resolver o assunto. O polícia ainda tenta pôr ordem na rua. Aparece o Diabo, que o quer levar com ele, e, finalmente, a Morte. Dom Roberto acaba vencendo a própria morte.

 

O Castelo dos Fantasmas

A princesa está presa no castelo, e este está cheio de fantasmas. Há um crocodilo que está sempre a tentar comer tudo, e um gigante que mantém a princesa presa. Dom Roberto, ao passar perto do castelo, vê a princesa presa, e esta promete-lhe: se ele a libertar, casa com ele. Ao ouvir tal promessa, Dom Roberto vai tentar vencer tudo e todos para casar com a bela princesa.

 

A Tourada

O Toureiro vai tentar tourear o Touro, mas este parece não perceber o que ele quer. Ao fim de várias tentativas, o Toureiro lá consegue fazer alguma coisa do touro que afinal não era nada burro. De seguida aparecem os forcados a dançar o fandango preparando-se para fazer a famosa e arriscada pega de caras com o Touro.

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Rosa e os três namorados

Rosa tem três namorados, o Sapateiro, o Ourives e o Brasileiro. Todos lhe prometem muito ouro, bens e dinheiro. Um dia, quando os patrões saíram, deixaram a casa ao cuidado da Rosa e esta recebe a vista dos namorados. Com medo de ser apanhada, Rosa vai escondendo os namorados pela casa. Quando chegaram os patrões ouvem barulho e acham que há ladrões em casa. Aparece o polícia e está a confusão instalada.

 

O Saloio de Alcobaça

O Saloio vai à cidade tentar vender frutas e legumes e diz que é de Alcobertas, mas não consegue vender nada. Todos se riem dele. Maria Varina, que andava a vender peixe, percebe e ajuda-o. O Rui Valente com ciúmes, desafia-o para lutar com um pau. Os irmãos João e Zé Porradas pensavam que ele era rico e tentam ficar-lhe com o dinheiro. Mas no final, o Saloio passou a ser de Alcobaça e casa com Maria Varina.

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O Marquês de Pombal e os Jesuítas

No tempo do Marquês de Pombal, numa sexta-feira santa, a seu mando, a sua criada Maria foi comprar um grande chourição de carne. É então presa e acusada pelo inquisidor de blasfémia. Seguem-se as peripécias características deste tipo de teatro, acabando com o Marquês a expulsar jesuítas e inquisidores do país, colocando-os numa barca no mar, que acabará por se afundar ao ser atacada por piranhas.

"O Barbeiro" e "A Tourada"

"O Castelo dos Fantasmas"

"Rosa e os três namorados"

"O Marquês de Pombal e os Jesuítas" - registo vídeo Joana Borges

Logótipo da companhia S.A. Marionetas - Teatro & Bonecos com uma mascote de um boneco azul.
Logótipos dos apoios institucionais e à estrutura

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