2021
Margens da Batalha:
As Mulheres de Aljubarrota
Construção de Marionetas, direção de cena e manipulação





Coprodução das companhias locais S.A.Marionetas, A Corda e Companhia Livre
Dramaturgia de Elsa Maurício Childs
Nos dias 13 e 14 de agosto, teve lugar na Estalagem de Aljubarrota o espetáculo teatral “Margens da Batalha: As Mulheres de Aljubarrota”, um espetáculo inserido na iniciativa “Rede Cultural – Aljubarrota 1385”, uma candidatura conjunta dos municípios de Alcobaça, da Batalha e de Porto de Mós, apresentada ao programa Centro 2020.
O Município de Alcobaça é o parceiro líder das iniciativas que concretizam o projeto em rede, sob a designação “Programação Cultural em Rede” do Programa Operacional Regional do Centro (POR), que concede apoios financeiros aos investimentos que visem promover a dinamização, promoção e desenvolvimento do património cultural, enquanto instrumento de diferenciação e competitividade dos territórios, designadamente através da sua qualificação e valorização turística.
Como parceiros, surgem a companhia S.A.Marionetas – Teatro & Bonecos, de Alcobaça, na qualidade de copromotora, e a Fundação Batalha de Aljubarrota, enquanto parceiro institucional.
INFORMAÇÃO SOBRE O ESPETÁCULO
13 e 14 de agosto | 21:00
Estalagem do Cruzeiro, Aljubarrota
Aljubarrota 2021
Margens da Batalha: As Mulheres de Aljubarrota
Texto, Dramaturgia e Narração: Elsa Maurício Childs
M/6
Pelas companhias:
A Corda | Companhia Livre | S.A.Marionetas
As páginas da História escreveram o nome dos heróis da Batalha de Aljubarrota — os incontornáveis D. João I, Mestre de Avis, e o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira —, tantas vezes silenciando, pelo olhar quase sempre patriarcal da História, as mulheres que também definiram essa luta de bastardos.
Este novo texto sobre os acontecimentos de Aljubarrota, escrito de propósito para esta celebração, procura, através da reconstrução da leitura que as mulheres guerreiras da Batalha terão tido desta luta, conferir centralidade à sua participação na contenda.
Através de diferentes textos literários que recontam a Batalha em si e os heróis e heroínas que a ela se entregaram — de Camões, no Canto IV d’Os Lusíadas, à Mensagem de Pessoa, passando, centralmente, por poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Fiama Hasse Paes Brandão e por vários textos poéticos escritos deliberadamente para esta ocasião pela autora do texto dramatúrgico —, Margens da Batalha: As Mulheres de Aljubarrota procura tornar protagonistas da Batalha as filhas lusitanas de Atena — Maria de Sousa, Joana Fernandes e Brites de Almeida (a já mítica Padeira de Aljubarrota) —, que nela lutaram.
Sem esquecer os papéis essenciais desempenhados por Filipa de Lencastre e pela figura de Nossa Senhora Virgem de Oliveira, a quem D. João I dedica a sua vitória, ao longo de três atos procura-se dar conta não apenas da Batalha em si, mas dos caminhos que a ela conduziram e dos que dela emergem.
O texto procura, assim, retirar estas personagens femininas das margens da História, dando-lhes o espaço e o tempo necessários para que sobre elas brilhe o foco dos acontecimentos de Aljubarrota.
Para esta tarefa, contribui ainda a poesia de Safo (a mais famosa mulher poeta da Antiguidade), que serve de mote para o texto, pelo olhar de centralização do feminino que a define.
#ACULTURAÉSEGURA
NOTA: ESPETÁCULOS SUJEITOS A CONFIRMAÇÃO MEDIANTE AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO PANDÉMICA
INFORMAÇÃO SOBRE AS COMPANHIAS
A Corda
A Corda nasceu em 2018 e apresenta-se como uma plataforma de criação artística multidisciplinar centrada, primordialmente, no Teatro, na Música e na Literatura, assim como na exploração de diferentes linguagens cénicas. Pretende funcionar como uma rede em expansão permanente, através da colaboração com outros membros da comunidade artística, fomentando a interação e a ligação das diversas formas de trabalho inerentes às artes. A Corda tem como princípio basilar exercer uma atividade ligada à comunidade, quer pela produção artística supracitada, quer pela formação nas áreas teatral e musical.
Na sua produção artística, destaca a criação e a apresentação de espetáculos que visam a exploração de linguagens cénicas e que se situam na interligação entre o Teatro, a Música e a Literatura — são exemplo disso os espetáculos Epopeia, Jogo de Espelhos – Um Reflexo de Pessoa, Quadraginta dies Silentio, Ad Lucem, Sobre o Cristal Transparente, as tertúlias literárias encenadas sobre diferentes poetas portugueses, os espetáculos para a infância Babar e Fala Bicho e o projeto In Verso (projeto de teatro playback da associação).
A Corda tem exercido uma atividade contínua, tanto na zona Oeste (Alcobaça, Porto de Mós e Rio Maior) como em Lisboa (nas Caves do Liceu Camões, no Centro Cultural da Malaposta e no Auditório Camões), tendo integrado ainda a programação de alguns festivais de teatro, como o Festival Internacional de Teatro de Setúbal (Epopeia, 2018), o Festival Books & Movies (com as tertúlias encenadas Tempus Fugit: Os Horizontes do Tempo em Camilo Pessanha e Walt Whitman e os poetas portugueses, 2018 e 2019, respetivamente, em Alcobaça), o Festival Novo Palco (Jogo de Espelhos, 2020, em Alcobaça) e o Festival Avesso (Sobre o Cristal Transparente, 2020, na Madeira).
Ficha artística
Direção de Atores: Ruben Saints
Texto, Dramaturgia e Narração: Elsa Maurício Childs
Interpretação: Diogo Bach, Inês Lucas, Lea Managil, Rita Carolina Silva, Ruben Saints, Tiago Bôto e Mestre André (músico)
Música e Sonoplastia: Mestre André
Figurinos: Ruben Saints
Adereços: Marinel Matos
Apoio à Produção: Joana Bastos
Agradecimentos: Ana Castanhito, Helena Raposo, Maria do Carmo Rebelo, António Santos, Margarida Guerreiro, Ana Costa e Vitor Lucas
S.A.Marionetas – Teatro & Bonecos
É uma estrutura profissional de criação em teatro de marionetas composta por autores, construtores e marionetistas que produzem originais em português, com o objetivo de promover e divulgar o Teatro de Marionetas. Nessa perspetiva, o seu trabalho passa pela investigação e a procura de novas soluções estéticas, bem como pela preservação da tradição popular portuguesa através da pesquisa e continuidade na realização
do Teatro D. Roberto.
Em ambos os casos, privilegia-se a itinerância dos espetáculos como melhor forma de divulgar a arte da marioneta.
Ainda no cumprimento destes objetivos, a companhia organiza, desde 1998, o Festival Nacional de Teatro de Marionetas “Marionetas na Cidade” em Alcobaça, onde está sediada. Em 2015, o festival foi distinguido com o selo EFFE Label. Tem participado em diversos festivais em Portugal, tendo também representado o país em Itália, Alemanha, França, Espanha, Inglaterra, País de Gales, Escócia, República Checa, China, Eslováquia, Macau, Cazaquistão, Indonésia, Coreia do Sul, Turquia, Áustria, Irão e Tailândia. Já foi distinguida com mais de uma dezena de prémios nacionais e internacionais pelas suas produções e, desde 1997, já criou 51 produções originais.
Ficha artística
Direção de Cena: José Gil
Manipulação: Natacha Costa Pereira, Henrique Bértolo, Rodrigo Moreira, Luis Gil, Tomé Simão, Diogo Rainho
Escultura das Marionetas: Natacha Costa Pereira
Construção das Marionetas: Natacha Costa Pereira, José Gil, Sofia Olivença Vinagre e Luis Gil
Estruturas: Luis Gil
Desenho de Luz: José Gil e Óbidos Produções
Produção: Sofia Olivença Vinagre
Companhia Livre
A Companhia Livre é uma associação sem fins lucrativos, criada em 2008, que tem como objetivo promover atividades de caráter cultural e
educativo, contribuindo para a divulgação, valorização e prestígio da história de Portugal.
Estudamos, pesquisamos e recriamos o quotidiano civil e militar de diversos períodos da história de Portugal.
É nossa missão divulgar a História de Portugal.
Somos um grupo de atores e animadores socioculturais com vasta experiência em interpretação e recreação histórica.
Interpretamos momentos, personagens e aventuras, sempre contados na primeira pessoa, recorrendo a trajes e adereços de cada época.
Somos contadores de histórias, narradores de factos históricos e intérpretes.
Personificando figuras da História de Portugal, proporcionamos uma viagem pedagógica e estimulamos a imaginação, o interesse e a motivação
pela história e cultura de Portugal — uma aula de história ao vivo, uma aprendizagem lúdica e divertida.
Lista de participantes
Nuno Marques, Vera Pinto, Nuno Cardo, Luis Gomes, Nuno Esteves, Nuno Figueiredo, Nuno Gonçalves, José Carvalho, Fernando Brecha,
Vera Rebelo, Carla Alves, Maria do Céu Sotta, João Conrado, Vitor Mendes, Paulo Polido, Martim Antunes, José Marcos, Luis França, Vasco Alves,
Rui Simões, António Serra, Guida Santos, Maria José Vicente, Beatriz Figueira, Olga Figueira, Pedro Fortunado, André Inácio,
Belarmino Figueiredo, Luis Figueiredo, Justina Silva, David Santos, Francisco Camacho, Luis Ferreira, José Pereira, Manuel Lobo, Ângelo Lobo,
Miguel Rocha, Jorge Nunes, Joaquim Silva e Nuno Rodrigues.
SOBRE A BATALHA DE ALJUBARROTA
Em 2021 comemora-se o 636.º aniversário da Batalha de Aljubarrota, um momento decisivo para a independência de Portugal,
ocorrido a 14 de agosto de 1385.
Nesta época, em plena Idade Média, Portugal vivia um clima de tensão política e social. Por um lado, durante a Crise de 1383, subsistia dentro da corte o desejo da união a Castela. Por outro, muitos lutavam para defender a independência de Portugal; o povo português não aceitava
perder a nacionalidade.
O rei D. João I, Mestre de Avis, há muito que preparava a defesa de Portugal. Do lado de Castela, D. Juan I planeava tomar o trono português e optou por fazer um cerco a Lisboa. O cerco durou três longos meses e só terminou quando Almada se rendeu por falta de água.
A Batalha foi-se aproximando dos Coutos de Alcobaça e viria a decorrer entre os campos de S. Jorge e os de Aljubarrota. Frei João de Ornelas, abade do Mosteiro de Alcobaça, foi uma preciosa ajuda para o exército de D. João I: enviou cerca de 300 homens para combater os castelhanos e, defendendo a ponte de Chiqueda, fez com que o exército de D. Juan I se atrasasse.
Mesmo em desvantagem no número de cavaleiros e com a população fragilizada, D. João I decidiu avançar e elegeu D. Nuno Álvares Pereira
como o estratega para comandar o destino dos portugueses.
Para este combate, D. Nuno criou uma prática militar, a técnica do quadrado, que impulsionou a vitória portuguesa. Para esse dia, na charneca de
S. Jorge, posicionou os cavaleiros em quadrado para criar a ilusão de que existiam mais homens, conseguindo assim atrair os invasores para dentro do quadrado e atacando-os de todas as frentes. Os numerosos fossos e covas-de-lobo cobertos com abatises foram autênticas armadilhas.
Portugal venceu quando estava em clara desvantagem; a diferença numérica não ditou o seu destino.
Esta Batalha representa a afirmação da independência de Portugal e da sua gente.
SOBRE A PADEIRA DE ALJUBARROTA
Após a Batalha, depois de vencidos, muitos castelhanos fugiram temendo pelas suas vidas.
Conta a lenda que sete fugitivos, ao tentarem encontrar abrigo e mantimentos, entraram em casa de Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota.
Os homens encontraram a casa vazia, pois Brites teria ido ajudar a população de Aljubarrota a expulsar os invasores que ficaram após o confronto.
Brites de Almeida — mulher forte, alta, de aspeto severo, com uma força e coragem admiráveis —, ao chegar a casa naquela noite, encontrou a porta fechada e desconfiou. Deu de caras com sete castelhanos famintos dentro do seu forno e não esteve com meias medidas: a padeira e a sua gente, com a pá apontada pelo ferro afiado do raer (que utilizava para afastar as brasas do forno), mataram os sete castelhanos de uma só vez.
Assim se eternizou a lenda da Padeira de Aljubarrota: heroína e mulher do povo, símbolo do patriotismo e do nacionalismo português. Defendeu a independência nacional com as suas próprias mãos e, por isso, permanecerá para sempre no imaginário dos portugueses.

